O Banco Central voltou a reduzir os juros básicos, mas quem espera parcelas menores no dia seguinte pode se frustrar. A queda da Selic barateia o crédito no médio prazo, porém o repasse aos consumidores é gradual e varia de banco para banco.
Queda da Selic: o que o Copom decidiu
Em 16 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte de 2026. Desde março, quando o Banco Central iniciou esse ciclo de redução, a Selic já caiu 1,25 ponto percentual.
Quando o efeito chega ao consumidor
Segundo a assessora financeira Erika Almeida, integrante do Ibef-ES (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo), há um intervalo entre a decisão do Copom e o ajuste das taxas nos bancos. Isso acontece porque cada instituição leva em conta seu custo de captação, o risco de calote e suas apostas sobre os próximos meses.
Os bancos também não precisam esperar o Banco Central para mexer nos juros. Se o mercado já prevê novos cortes, parte do movimento pode ser antecipada. Por isso, o cliente pode notar taxas menores antes, durante ou depois da decisão, e o repasse varia conforme o banco, o produto e o perfil de cada pessoa.
Por que o juro do cartão continua alto
De acordo com Erika, a Selic é só uma peça da conta do cartão de crédito. O preço final também embute o risco de inadimplência, os custos da operação, os impostos e a margem do banco. Por isso, mesmo com a taxa básica em queda, o cartão pode seguir cobrando juros muito elevados.
O banco é obrigado a reduzir os juros?
Não. A queda da Selic não obriga nenhuma instituição a baixar as taxas de cartão, empréstimo ou financiamento. Ela cria um ambiente de crédito mais barato, mas cada banco define seus preços de acordo com os próprios custos e com o risco de cada cliente.
E o financiamento?
Novos financiamentos podem ficar mais baratos com a Selic menor, mas isso não é automático. A taxa depende do tipo de financiamento, do prazo, das condições do mercado e do perfil do consumidor.
Quem já tem contrato com juros fixos, por exemplo, não terá a parcela reduzida só porque a Selic caiu.
E o empréstimo pessoal?
A Selic influencia o custo do dinheiro para os bancos e, de forma indireta, o preço do empréstimo pessoal. Quando cai, abre espaço para taxas menores. Só que o repasse não acontece na mesma proporção para todo mundo, já que os bancos também avaliam risco de crédito, histórico de pagamento, prazo da operação e outros custos.
Vale esperar para renegociar a dívida?
Não existe momento único que sirva para todos. Aguardar novos cortes pode render juros menores, mas a dívida continua crescendo enquanto isso.
Nas dívidas de juros muito altos, como o rotativo do cartão e o cheque especial, esperar costuma sair mais caro do que a eventual vantagem de uma taxa menor no futuro. Nesses casos, renegociar logo tende a ser a melhor saída.
Na prática
- Compare propostas. Como o repasse é desigual, simular em mais de um banco continua sendo o caminho.
- Priorize as dívidas mais caras. Rotativo e cheque especial vêm primeiro.
- Tenha contrato com taxa fixa antiga? Vale pesquisar se outra instituição oferece condição melhor para trocar a dívida.



