RecargaPay passa de 15 milhões de clientes e mira R$ 2 bi

RecargaPay supera 15 milhões de clientes e persegue receita de R$ 2 bilhões

A RecargaPay ultrapassou a marca de 15 milhões de clientes e trabalha para que o faturamento passe de R$ 2 bilhões. No ano passado, a fintech encerrou com R$ 1,66 bilhão em receita, o que significa que precisa crescer pouco mais de 20% para bater a meta. O motor dessa expansão é uma combinação de empréstimo, cartão de crédito e o recurso tap to pay.

Da recarga de celular à fintech completa

Fundada em 2010 pelos irmãos argentinos Rodrigo e Álvaro Teijeiro e por Gustavo Victorica, a empresa começou vendendo créditos de celular e bilhetes de transporte público. Essa origem hoje pesa muito pouco: recargas respondem por menos de 1% do volume transacionado e da receita.

Atualmente, a RecargaPay funciona como plataforma de pagamento de contas e oferece cartão de crédito com cashback, empréstimos e produtos via Pix. No mercado, disputa clientes com Mercado Pago, PicPay e bancos digitais como Inter e Nubank.

O ritmo de crescimento acelerou

A empresa levou quase 15 anos para atingir 10 milhões de usuários, o que aconteceu em 2024. O passo seguinte, até 15 milhões, levou pouco mais de 18 meses. Miguel Perdigão, gerente-geral de Produtos Financeiros, projeta que os 20 milhões virão ainda mais rápido. Historicamente, a base cresce entre 30% e 35% ao ano.

Tap to pay: o celular vira maquininha

Uma das apostas mais fortes é o tap to pay, tecnologia que permite receber pagamentos por aproximação usando apenas o smartphone, sem comprar equipamento extra. A versão para Android foi lançada há pouco mais de um ano, e a de iPhone estreou há cerca de dois meses.

Os números já chamam atenção. Em agosto, o volume transacionado só nessa modalidade chegou a R$ 300 milhões, e o iOS, com apenas dois meses de operação, respondeu por um terço do total. No Android, o avanço mensal gira em torno de 35%. O público inclui tanto microempreendedores individuais quanto pessoas físicas.

Para dimensionar o mercado, a Abecs estima que os pagamentos por aproximação devem movimentar mais de R$ 100 bilhões no Brasil em 2026. Já o volume total transacionado da RecargaPay em 2025 foi de R$ 33 bilhões.

A empresa nunca investiu pesado em maquininhas físicas. Chegou a testar um projeto pequeno, com estoque mínimo, mas concentrou a estratégia no celular. Para Gilmar Hansen, vice-presidente sênior de Produto, isso é uma vantagem sobre concorrentes com grandes parques de aparelhos, que enfrentam custos contábeis ao migrar e por isso avançam mais devagar.

Crédito abre a porta, Open Finance ajuda a decidir

O empréstimo é hoje o principal caminho de entrada: 80% dos novos clientes começam pelo crédito. Entre os que contratam um empréstimo, 32% adicionam outro produto, como cartão de crédito ou tap to pay, no mesmo mês.

A fintech também usa o Open Finance para conceder crédito e está entre as 20 instituições que mais recebem dados de outras empresas, segundo o ranking do Banco Central. Na visão de Hansen, o compartilhamento dá uma espécie de histórico de 12 meses do cliente em outros bancos, o que dispensa esperar meses de uso para avaliar o risco. Além disso, ajuda a simplificar o cadastro, já que o usuário não precisa digitar todos os dados. A empresa não divulgou sua taxa de inadimplência.

Cartões e CDB reforçam o vínculo

Entre os cartões, o lançamento mais recente é o Titan, de nível black, com 2% de cashback em todas as compras e sem anuidade para quem o usa com frequência. Para ter acesso, é preciso manter R$ 30 mil aplicados em CDB da própria RecargaPay. A versão Platinum exige R$ 3 mil. Também existem cartões com limite definido pela fintech, nas categorias Gold, Platinum e Black, de acordo com a análise de crédito. A carteira de cartões cresce entre 20% e 30%.

Na renda fixa, o CDB da casa paga 107% do CDI com liquidez diária e chega a 110% para quem deixa o dinheiro travado por 12 meses. A licença de sociedade de crédito, financiamento e investimento (SCFI), obtida no fim de 2024, permite emitir CDBs próprios. Isso torna a captação mais barata e reduz a dependência de FIDCs.

Equipe menor e o nome que continua

Enquanto os números crescem, o quadro de funcionários encolheu. Eram 600 pessoas no começo de 2025, e hoje são 480, uma redução de 20%. Os executivos citam o impacto da inteligência artificial, mudanças no atendimento e a reorganização de times para eliminar funções duplicadas. Hansen diz que a empresa sempre prezou por uma estrutura enxuta e horizontal, mesmo antes da IA.

E o nome, que remete a uma época em que mais de 90% dos usuários faziam uma recarga de celular como primeira transação? Segundo o diretor de comunicação, Beto Petroni, a troca é assunto recorrente na empresa, discutido “a cada seis meses, ou dia sim, dia não”. Por enquanto, o nome continua o mesmo.

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