Nunca se tomou tanto crédito no Brasil, e isso torna a educação financeira um assunto cada vez mais prático. Dados recentes do Banco Central e da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram um país que empresta mais e, ao mesmo tempo, deve mais. Entender esses números ajuda a decidir melhor na hora de contratar um empréstimo, parcelar uma compra ou financiar um projeto.
O que os números do crédito mostram
De acordo com o Banco Central, o saldo total de crédito do sistema financeiro chegou a R$ 7,4 trilhões em julho de 2026, com alta de 9,5% em 12 meses. O crescimento veio principalmente das operações voltadas às famílias, sinal de que o brasileiro tem recorrido ao crédito para realizar planos e movimentar a economia.
82% das famílias têm algum tipo de dívida
O outro lado da moeda aparece na pesquisa da CNC: 82% das famílias brasileiras têm alguma dívida, o maior percentual já registrado na série histórica do levantamento.
Vale um cuidado na leitura. Ter dívida não é o mesmo que estar inadimplente, já que muita gente paga as parcelas em dia. Mesmo assim, o dado indica que o crédito faz parte da rotina da maioria dos lares, e que planejar o orçamento deixou de ser opcional.
Como usar o crédito de forma estratégica
Especialistas defendem que o crédito seja um meio para atingir objetivos definidos, e não uma solução improvisada. Três atitudes ajudam nessa relação:
- Avaliar a capacidade de pagamento. Antes de contratar, confira se a parcela cabe no orçamento sem sacrificar despesas essenciais.
- Entender o custo da operação. Além dos juros, compare o Custo Efetivo Total (CET), que reúne taxas e encargos.
- Organizar o orçamento. Saber quanto entra e quanto sai todo mês evita decisões por impulso.
A visão do Banco Central e das instituições
Carlos Rigon, assessor de Negócios de Pessoa Física da Sicredi Raízes, recomenda tomar crédito com responsabilidade, objetivos claros e de acordo com a realidade de cada pessoa. Na visão dele, o acesso consciente ao dinheiro pode abrir oportunidades e apoiar projetos de vida.
O Banco Central também trata o tema como prioridade. Para o órgão, ampliar o conhecimento financeiro da população é fundamental para que as pessoas façam escolhas mais conscientes, administrem melhor seus recursos e tenham mais bem-estar financeiro.
Crédito bem usado ajuda, mal usado pesa
Com o crédito crescendo e as dívidas presentes na maioria das casas, a educação financeira funciona como proteção. Planejar, comparar propostas e contratar só o que cabe no bolso são hábitos simples que fazem diferença entre um crédito que ajuda e um que vira problema.



